Noite final da convenção tenta esclarecer polêmicas sobre Romney
Por Luciana Coelho, Enviada especial
TAMPA, EUA, 30 de agosto (Folhapress) - A última noite da convenção que vai "ungir" Mitt Romney como candidato republicano à Casa Branca tem uma missão: esclarecer pontos da biografia do presidenciável que deixam o eleitor independente ou os mais conservadores em dúvida.
Para tanto, foram escalados para o palco ex-clientes, ex-colegas, ex-subordinados e membros da congregação mórmon que Romney dirigiu por meia década.
Tom Stemberg, presidente da Staples, falou de sua experiência como cliente da controversa consultoria Bain Capital, que Romney dirigiu até o início dos anos 2000 e que a campanha rival acusa de exportar empregos e investir no exterior.
Dois vídeos foram encomendados para explicar a atuação da firma, que Romney e seus colegas afirmam ter salvado empresas da falência ao otimizar sua produção.
Pam Finlayson e Ted and Pat Oparowski narraram sua experiência como fieis mórmons, quando receberam aconselhamento e acolhida do então bispo Romney, e seu colega de igreja Grant Bennett foi encarregado de explicar ao eleitorado e a plateia preceitos e práticas da religião cristã organizada nos EUA em 1830 e da qual apenas 2% dos americanos são adeptos.
Também foram convocados ex-atletas e ex-dirigentes olímpicos, que falaram do sucesso de Romney organizando os Jogos de Inverno de 2002 em Salt Lake City, convocado de supetão para assumir as rédeas após um escândalo envolvendo os organizadores anteriores (este é, talvez, o único ponto da biografia do ex-gestor de investimentos nunca contestado pelos rivais).
E, como no restante da convenção, foi feito um apelo especial ao público feminino, fatia do eleitorado na qual Barack Obama tem oito pontos de vantagem, apesar do empate técnico geral, segundo o mais recente levantamento do Gallup. Sua vice quando governador de Massachusetts (2003-2007), Kerry Healey, e outras subordinadas enfatizaram seu respeito profissional às mulheres.
Romney está na berlinda ante a posição republicana de contestar a obrigatoriedade da distribuição gratuita de pílulas anticoncepcionais pelos planos de saúde, promulgada por Obama, e por causa da posição antiaborto dele e do partido --às quais a retórica democrata se refere como uma violação do direito da mulher decidir sobre sua saúde reprodutiva.
Para tentar derreter essa resistência, a convenção --e ao que parece, daqui por diante a campanha-- explorou o relacionamento de Romney com sua mulher, Ann, que discursou na terça e ontem voltou a aparecer em um vídeo, falando do namoro dos dois e do apoio que recebeu do marido quando foi diagnosticada com esclerose múltipla.



